Futebol Masculino & Feminino: De 4 em 4 anos, uma nova “briga” inútil

Por | 17 de agosto de 2016

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Às vezes tenho a sensação de que a humanidade enlouquece um pouco para, logo depois, voltar a uma aparente normalidade. Apesar de não ter nenhuma causa lógica para esse fenômeno, é motivo para acontecerem algumas situações que eu vejo por aí.

Uma dessas situações, obviamente, é a tal “briga” entre o futebol masculino e o feminino. As aspas servem ao seu propósito: essa briga não existe, é um fruto de cabeças desocupadas e burras.

Existe uma diferença entre o mundo que queremos e o mundo que existe. Acreditem ou não, a realidade é bastante simples porque tudo acontece por uma razão. Não há uma “força oculta” que determina os rumos do mundo, mas sim uma série de pequenas ações de indivíduos que constroem o fluxo da história. No futebol, enquanto microcosmo, não é diferente.

Não existe uma força deliberada para minar o futebol feminino em favor do masculino, ou qualquer maluquice do gênero. Existe uma força (ou lógica) econômica implacável. Não existe falta de apoio. Existe falta de interesse puro e simples.

Você sabia que, de acordo com a lei nº 13.155 de 4 de agosto de 2015, todos os clubes que quiserem aderir ao Profut (em resumo, programa de refinanciamento de dívidas), precisam fazer, nas palavras da lei:

X – manutenção de investimento mínimo na formação de atletas e no futebol feminino e oferta de ingressos a preços populares, mediante a utilização dos recursos provenientes:

a) da remuneração pela cessão de direitos de que trata o inciso I do § 2o do art. 28 desta Lei (…)

Você sabia que existe um campeonato brasileiro feminino com times como Corinthians, Santos, Vasco e Flamengo, sendo este último o atual campeão? E você sabia que esse campeonato tem transmissão em TV aberta e em dois canais de TV fechada?

Não?

Pois é.

O campeonato existe, a transmissão existe, os mecanismos existem. Nada evita que o futebol feminino alcance um sucesso absoluto com o grande público. Ou alguém duvida de que, caso os jogos batessem uma grande audiência para as emissoras, outros jogos também seriam transmitidos e, por consequência, os direitos de transmissão seriam aumentados?

No final das contas, o que separa o futebol masculino e o feminino é o interesse. Nada mais. Ele simplesmente não vende quando não é época de olimpíadas ou, fazendo muita força, de Copa do Mundo feminina.

marta

Eu particularmente não gosto. Acho o jogo primário, de baixo nível técnico e tático, parece pelada de rua. Portanto, não assisto – mas também não faço questão de esfregar a minha opinião na cara de ninguém, muito menos de ser o “pentelho” das redes sociais, botando água em chopp alheio.

Assisto o futebol feminino como assisto a um jogo de vôlei, de basquete, a uma rodada de ginástica artística ou de atletismo: torcendo por uma medalha para o Brasil, e só. A eliminação na semifinal mexeu muito mais com meus brios olímpicos, por assim dizer (“MENOS UM OURO, CAZZO”), do que com a minha emoção. Não senti nem perto do que senti em 2012, naquele jogo fatídico da seleção masculina contra o México na final.

Respeito quem gosta, quem consegue torcer fervorosamente pelo Brasil em todos os esportes, mas não respeito quem enche o saco pedindo investimento num esporte que só vê a cada 4 anos e que sabe o nome de duas jogadoras no máximo.

Em vez de reclamar, essa pessoa poderia ajudar na divulgação do esporte. Se inteirar do assunto, compartilhar nas redes sociais notícias interessantes, a classificação do campeonato, datas de transmissão, portais com bom conteúdo etc. Ou, sendo um pouco mais hábil com a internet, até chegar a fazer um site sobre futebol feminino. Quem sabe até o cidadão não chega a ir no estádio assistir a um jogo, que tal?

Se vejo isso? Não. Só vejo reclamação e “mimimi”. Quando existe uma notícia compartilhada fora de época olímpica é para, justamente, reclamar da falta de incentivos e investimentos.

Isso não traz público, isso não desenvolve o esporte e, definitivamente, não resolve o problema. Só serve para encher a paciência.

BC

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