Cristóvão, competência, racismo e distração

Por | 16 de agosto de 2015

Treino do FlamengoEu sei que tocar nesse assunto é mexer num vespeiro tremendo – ainda mais no Brasil atual, onde a tomada cega de posição em prol de uma causa virou regra e absolutamente tudo virou motivo para uma discussão sobre os “comos” e “porquês” do modus operandi da sociedade -, mas tendo em vista os acontecimentos na partida entre Palmeiras e Flamengo de hoje, é necessário.

Vamos por partes.

O Palmeiras venceu por 4×2 jogando menos do que o Flamengo. Na verdade venceu por causa dos erros individuais da zaga rubro-negra.

“Individuais”? Deixa eu corrigir: erros de posicionamento, de treinamento e de escolha das peças. E quem é que cuida dessa parte? O técnico, que tem a simples função de treinar a equipe.

Só que a coisa começa a ficar um pouco mais enroscada quando entramos nessa questão. Há umas duas semanas foi levantada uma bola sobre o racismo contra o técnico Cristóvão Borges – pelo próprio, diga-se – e que foi repercutida à exaustão por alguns setores da imprensa. De forma resumida: ele disse que vinha sendo criticado “em excesso” e que chegava ao ponto de “ver até racismo” nessas críticas.

Eu não sou ele para falar o que ele sente ou deixa de sentir, por isso não me cabe fazer esse julgamento. Mas eu tenho toda a liberdade e a segurança do mundo para julgar a mídia.

A imprensa – especialmente os setores mais “engajados com as minorias e com consciência social”, essa babaquice semântica da era pós-moderna – teve uma reação desproporcional ao fato porque interessa a ela. O Cristóvão Borges deixou de ser um técnico de futebol: ele virou um técnico negro de futebol e, por causa disso, passou ter um cuidado diferenciado no tratamento. E essa mesma imprensa requer da torcida o mesmo tratamento diferenciado.

Desse modo, a esculhambação natural de um técnico que treina um time que leva 5 gols de bola aérea em 4 jogos, que tem a segunda pior defesa da competição, que não conseguiu vencer uma partida sequer no turno inteiro por mais de um gol de diferença e que tem sérios problemas pra jogar em casa deixa de ser técnica e de ter relação com o trabalho prático.

Vira uma coisa só: racismo. E vira uma distração, porque se afastou do motivo real e assumiu uma outra conotação.

Não, cavalheiros, não é caso de racismo. A perseguição é pelas atitudes questionáveis enquanto treinador, mesmo. A culpa não é minha se os srs. não lembram de quando o Ney Franco e o Jorginho treinaram o Flamengo e do quanto os dois foram questionados pela torcida. Aliás, fariam bem em se lembrar do tratamento perante o Luxemburgo imediatamente antes da demissão.

Espero, sinceramente, que a discussão tome ares mais civilizados do que um reducionismo tosco a “racismo” e “não-racismo”, mas eu tenho consciência que, com essa imprensa “7×1” que nós temos, vai ser complicado.

BC

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