Ronaldinho no Fluminense e o efeito do ídolo

Por | 20 de julho de 2015

ronaldinhofluDepois de um bom tempo de namoro, algumas idas-e-vindas, um negócio 90% fechado com o rival que acabou não saindo no papel, Ronaldinho Gaúcho é do Fluminense. É há algum tempo, verdade seja dita. Mas agora começaram a notar o “efeito” da chegada dele nas Laranjeiras.

O sócio torcedor disparou, o clube vai aparecer cada vez mais na mídia, cada jogada de efeito do craque será repetida dez vezes no dia seguinte em diferentes programas esportivos de diferentes canais etc. É o furacão R10.

Muito mais do que um ídolo do Brasil, Ronaldinho é um ídolo da parcela do mundo que gosta de futebol. Não existe uma pessoa nesse meio que não tenha ficado encantada no auge do craque, entre 2004 e 2006. E é exatamente aí que mora o grande trunfo em contratar R10.

Ele foi alçado ao patamar de melhor jogador do mundo no clube que dominava o cenário europeu e espanhol no meio dos anos 2000. Foi campeão de uma Copa do Mundo aos 22 anos, jogando como titular e resolvendo uma parada duríssima nas quartas de final. Depois, foi campeão espanhol e da Champions League. Pra fechar a passagem pela Europa, foi campeão italiano pelo Milan. Em pelo menos 3 anos, foi o melhor do planeta de maneira indiscutível, e dava shows de fazer os adversários aplaudirem de pé. De quebra, ganhou duas bolas de ouro.

Isso ninguém nunca vai apagar.

Velho? Gordo? Baladeiro? Imprestável pro time em campo? Mais atrapalha do que ajuda?

Nós, brasileiros que convivemos nesse ambiente viciado de futebol nacional, ligamos pra isso. O chinês que vê o Ronaldinho aplicar um desconcertante chapéu num adversário no campeonato carioca em uma compilação de “melhores momentos”, não liga. Nem o espanhol, nem o inglês, nem o italiano, nem o argentino, nem o americano, nem o russo…

Entendem onde quero chegar?

Ronaldinho tem o status que tem pelo que já fez. Não é uma invenção da mídia e nem foi uma ilusão. Aqueles anos mágicos existiram de verdade. O conjunto da obra conta horrores na construção da imagem de um ídolo.

É o efeito ídolo, em sua forma mais simples.

No final das contas, quem comemora é o Fluminense, que tem na sua mão uma chance de ouro pra uma jogada de mestre: internacionalizar a marca de maneira nunca antes vista. Caso consiga, será um marco.

Ah sim: não esquecendo do eventual ganho técnico, caso ele esteja em forma e afim de jogar.

Na pior das hipóteses, há um ganho financeiro e de exposição da marca. Na melhor das hipóteses, adiciona-se o ganho técnico.

Aí, amigos, sai de baixo.

BC

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