Seleção? Que seleção?

Por | 28 de junho de 2015

Copa_America-Brasil_x_Paraguai-comemoracao_LANIMA20150627_0117_38O Brasil perdeu, de novo, para o Paraguai nas quartas de final da Copa América. E, para tornar a coisa mais ironicamente terrível, nos pênaltis. É 2011 se repetindo em 2015.

Melhoramos alguma coisa nesses quatro últimos anos? Bem, marcamos um gol no tempo regulamentar e acertamos três cobranças de pênalti – não foi aquele vexame homérico de não acertar um golzinho sequer.

Vale? Não vale nem pra piada. Foi tenebroso, tosco, inaceitável.

Do mesmo jeito que foi tenebroso, tosco e inaceitável o panteão de explicações que surgiram pro fracasso. Da virose ao Neymar, todos tinham uma parcela de responsabilidade no que aconteceu.

Mas não chegaram no fundamental: o desempenho da competição inteira foi pífio. A Seleção Brasileira, pentacampeã do mundo, uma das três grandes potências do continente, ser eliminada da Copa América com duas vitórias, um empate e uma derrota, é uma aberração.

Ou não. Talvez o futebol tenha mudado e ninguém sentiu direito aqui no Brasil. Talvez Neymar seja uma pérola rara num mar de lama. Talvez o 7×1 ainda não tenha acabado.

Nem tanto à Roma, nem tanto à Cartago.

O mundo do futebol mudou – e continua num processo frenético. Mais do que a zona nos bastidores da FIFA, CBF et caterva, o campo e bola está diferente. Então o raciocínio natural seria de que é preciso pensar diferente.

Só que não funciona assim. Luiz Eduardo Baptista, o Bap, diz que loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Depois de 2010, voltamos ao dunguismo. Naquele pré-copa frenético que tivemos, com todos os títulos possíveis e um aproveitamento absurdo, a situação dentro do campo já estava esquisita (Deuses, vamos parar de olhar os números no almanaque e ver o desempenho?). O tal “um tempo ruim que arruinou um trabalho” deu o ponto final àquela história, e o 7×1 partiu desse mesmo ponto, aparentemente.

A mesma coisa. Os mesmos erros. Só que piorados: ninguém aguenta mais a briga eterna do Dunga com Deus e o mundo, ninguém aguenta mais colocar zagueiro para segurar resultado contra a Venezuela, ninguém aguenta mais os “protegidos” porque estão “fechados com o chefe”. Só suportávamos até 2010 porque os resultados, mal ou bem, estavam vindo. Era duro de assistir, horroroso de comentar, mas dava resultado. A imprensa boba-feliz esbaldava-se com qualquer caraminguá que era atirado a ela, seja uma cobrança de falta do Daniel Alves na Copa das Confederações que salvou a pele do chefe, seja um gol com dois toques de mão de Luis Fabiano na Copa, ou até mesmo uma magra vitória sobre a possante Coréia do Norte.

Mas não dá mais. Quem anda para trás é caranguejo, e quem gosta de imitar é burro. Colocar o Dunga foi burrice. Mantê-lo agora é burrice.

Isso tudo para mostrar um aspecto da zona que está essa desgraça. Outros textos virão, com maior detalhe, para tentar entender outros aspectos da situação.

Encarem isso mais como um desabafo de um torcedor da Seleção Brasileira completamente desiludido e de saco cheio. Não tenho a pretensão de ser o dono da verdade – longe disso.

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BC

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